07 abril 2011

Saúde no DF: qual o modelo de atenção às famílias?

Imagem: routenews.com.br
UnB Agência
Maria Fátima de Sousa*
O Distrito Federal não cumpre os preceitos constitucionais do Sistema Único de Saúde (SUS) há décadas, quando fez a opção por não assegurar o acesso, com qualidade, resolutivo e contínuo às ações e serviços públicos de saúde, preferindo contratar os serviços do setor privado, a chamada terceirização de serviços essenciais, a exemplo de serviços de informática, exames de laboratório, segurança. As evidências disso são o crescente número de ações judiciais pleiteando medicamentos, internação, leito de UTI e outras ações e serviços.
Não há um modelo de atenção à saúde que deixe clara a forma de organização e funcionamento do sistema e serviços de saúde. Qual é a porta de entrada do sistema? Quais são os serviços onde os indivíduos, famílias e comunidades serão vinculadas? Qual é o plano de integração da rede básica, com as unidades de referência (ambulatórios de especialidades, hospitais), quais são as metas, os recursos e as ações prioritárias que coordenaram (ordenaram) os planos regionais e por consequência o Plano Distrital de Saúde?
Não há um modelo de gerência/gestão onde a administração de serviços deixe explícita sua forma organizativa/operacional da rede de atenção à saúde. Há autonomia das regionais de saúde? Os dirigentes das unidades de saúde (básica, ambulatórios especializados, hospitais) foram escolhidos segundo um perfil de habilidades e competências para administrar as unidades de saúde?
Os profissionais estão no lugar certo fazendo as coisas certas? Sabe-se quantos médicos, enfermeiros, odontológos, farmacêuticos, assistentes sociais, e outros existem no DF, mas esses profissionais historicamente foram destinados a “trabalhar” em lugares sem uma definição prévia das necessidades de saúde das regionais de saúde. Ou seja, qual o perfil epidemiológico, social e cultural dessas regiões e, consequentemente, quais os serviços necessários e profissionais capacitados para atuarem nesses territórios?  

A violência, o uso das drogas e a dengue constituem “epidemia” de problemas de saúde pública que necessitam ser urgentemente enfrentados. Como a população vem ajudando o DF a “diminuir” esses problemas? Quais os mecanismos de participação social orgânico ou mobilizatório, para que no cotidiano cada indivíduo, família e comunidade sintam-se contribuindo na melhoria das condições de sua própria saúde e vida? 
Nessa direção, explicitar o caminho da reconstrução do SUS-DF faz-se necessário. E com isso, não basta visitar os hospitais e apontar medidas emergenciais, essas como o próprio nome sinaliza são ações de curto prazo, diminuem o “caos”, mas não edificam um modelo de atenção à saúde das famílias no DF. Modelo esse orientado pela Estratégia Saúde da Família. Onde a saúde começa em saúde, com a presença massiva dos Agentes Comunitários de Saúde - ACS. Essas estratégias vinculadas em redes integradas de atenção e gestão (unidades ambulatoriais e hospitalares). Isso exige uma ação política, não construção de Unidades de Pronto Atendimento-UPAS, somente. Por isso é urgente e necessário que um governo democrático e progressista possa investir em:
1. Ampliar a cobertura do PSF em no mínimo 70% em todas as regionais de saúde, com prioridade para áreas de maior exclusão social, entre elas os condomínios Pôr do Sol e Sol Nascente de Ceilândia.
2. Revitalizar as Unidades Básicas de Saúde, de forma que as mesmas possam se articular em redes integradas a outras unidades de Apoio às Equipes do PSF, a exemplo dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF, Centros de Apoio Psicossocial CAPS, Atenção Domiciliar AD; Pressional, e outros.
3. Investir na formação dos ACS como sujeitos estratégicos à continuidade e qualidade do cuidado à saúde de cada micro-área por eles “adscrita”, sobretudo com o projeto de Inclusão Digital, assegurando aproximação entre os demais profissionais das equipes do PSF, qualificando seu processo de trabalho e diminuindo a distância entre eles.
4. Definir para cada região de saúde, um coordenador da rede da Atenção Primaria à Saúde - APS, com foco a atitude nas diretrizes e bases organizativas do PSF para apoiar a estruturação e o desenvolvimento de rede integrada de atenção à saúde, orientada por plano de metas e resultados previstos a curto, médio e longo prazo.
5. Investir na parceria com Instituições de Ensino Superior para desenhar, desenvolver e monitorar, um Plano Estratégico (PE) de capacitação e educação permanente em saúde para os profissionais envolvidos na rede de atenção à saúde e na gestão da APS, prioritariamente
6. Pactuar com os dirigentes de cada região de saúde, metas de saúde, condicionando aos repasses de recursos de várias naturezas (financeiro, humano, físico). Pactos orientados pelas prioridades segundo maior exclusão social (situações de vulnerabilidade).
7. Incentivar as equipes de saúde da família (PSF) e de sua rede de apoio (NASF, CAPS, AD) ao aumento salarial, qualificação e outros benefícios segundo os ganhos de saúde e vida em seus territórios trabalhados. Quanto mais saúde, maior os investimentos. Por meio de estratégias de monitoramento e avaliação das ações implantadas/implementadas.
Se o conjunto dessas idéias não se converter em prática, continuaremos perguntando qual o modelo de atenção à saúde das famílias para o Distrito Federal. Cuidar do pronto atendimento ou promover a saúde de cada cidadã/cidadão brasiliense?




* Professora da Universidade de Brasília e pesquisadora colaboradora junto ao Núcleo de Estudos em Saúde Pública (NESP), da UnB, onde coordena a Unidade de Estudos e Pesquisas em Saúde da Família (UEPSF). Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília-UnB, mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB, especialista em Saúde Coletiva e graduada em Enfermagem pela UFPB.




04 abril 2011

Cresce a participação de estudantes da rede pública na Unicamp

                                                                                                        Foto: Antoninho Perri

Unicamp Agência 

O número de estudantes da rede pública matriculados em cursos da Unicamp bateu recorde no Vestibular Nacional Unicamp 2011. São 1.111 alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas da rede pública, o que equivale a 32% dos matriculados deste ano, contra 1.003 em 2010, 29,4% dos admitidos naquele ano. O índice de 2011 está entre os maiores dos últimos anos e reverte a tendência de queda que vinha se verificando desde 2009, quando a participação havia caído abaixo de 30%. O maior número absoluto de matriculados oriundos da rede pública havia ocorrido anteriormente em 2009, com 1.033 matriculados. Em números relativos, o maior índice ainda é o de 2005, com 34,2%.
Os números também aumentaram entre os inscritos ao vestibular. Foram 14.277 candidatos da rede pública, ou 27%, em 2011, contra 13.503, ou 26,4% dos inscritos, no ano anterior. Vale lembrar que o Vestibular Unicamp 2011 teve recorde de inscritos, com 51.222 candidatos concorrendo aos cursos da Unicamp.
Os dados apontam o impacto no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social da Unicamp (PAAIS), que bonifica os candidatos da rede pública na nota final. Atrair bons alunos desse grupo é crucial para a Unicamp, pois a participação deles entre os matriculados cresce sempre, em relação ao de inscritos, sendo que neste ano esse crescimento foi ainda maior do que em anos anteriores. Esse avanço na participação pode ser medido pela variação entre as porcentagens de inscritos para matriculados: 3 pontos percentuais em 2010, tendo passado para 5 pontos percentuais em 2011.

O novo vestibular

O Vestibular Nacional Unicamp 2011 foi o primeiro no novo modelo, com 48 questões de múltipla escolha na primeira fase (eram 12 questões dissertativas), um novo modelo de prova de Redação (com três textos) e quatro provas na segunda fase, em grandes áreas (Língua Portuguesa e Literatura, Matemática, Ciências Humanas e Língua Inglesa, Ciências da Natureza), aplicadas em três dias consecutivos (eram quatro anteriormente), com 24 questões dissertativas por dia. Além disso, todos os candidatos passaram a ter a prova de Redação corrigida, o que não ocorria nos últimos anos, quando havia uma pré-seleção a partir das notas obtidas nas questões da primeira fase.
O aumento na participação de alunos da rede pública foi verificado já na passagem da primeira para segunda fase. Em 2010, 20,3% dos candidatos convocados para fazer a segunda fase do vestibular eram oriundos da rede pública, este ano foram 21,8%. Mesmo considerando-se o aumento da participação da rede pública entre os inscritos, esses números indicam que a nova prova de primeira fase beneficiou esses candidatos.
Os dados indicam que as mudanças tiveram impacto positivo em todos os sentidos, com maior número de candidatos inscritos, maior participação de estudantes da rede pública entre inscritos, aprovados para a segunda fase e matriculados. Todos os dados são preliminares e serão analisados mais detalhadamente, em um estudo completo da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) sobre o impacto do novo modelo do Vestibular Unicamp.

29 março 2011

Festa da Fisioterapia - Forno de Beer

 
Imagem não oficial do evento


Festa promovida pelo CAFISIO

Local - Lago Sul , QI 29, Condomínio Privê Morada Sul ( no mirante do condomínio)
Dia - 02/04
Horário: a partir das 13 horas
Preço: R$ 20,00 - bebida liberada



Vai pro show do ASA? Faça seu aquecimento na Forno de Beer!!!


Dúvidas e vendas com: Leonardo, Higo, André e João.   


Contato: cafisiounb@gmail.com.

26 março 2011

Atenção - Projeto de Acolhimento no HRC


Segue abaixo a transcrição do e-mail enviado pelo CAEnf - FCE

Projeto de Acolhimento na Regional de Saúde Ceilandia: universitário que acolhe" sob a coordenação da Profª Diana Pinho (diretora da FCE)

Estão abertas novas inscrições para o Projeto, e quem já fazia parte desta atividade, precisa só confirmar seu desejo de continuar e participar da reunião dia 30/03/2011 às 11h30, na sala 04 da FCE.

Quem faltar a esta reunião estará afirmando que não deseja continuar no projeto!!!
PRAZO PARA AS NOVAS INSCRIÇÕES OU RENOVAÇÃO DA INSCRIÇÃO?
29/03/2011 ÀS 12H.
COMO FAZER A INSCRIÇÃO?
Procurar a Secretaria da FCE e preencher a ficha.

10 março 2011

Espaço do CAEnf - Mensagem de boas-vindas aos calouros


Mais um semestre prestes a começar... Novas pessoas, sonhos, expectativas.

Para nós, veteranos, é revigorante ver a força e animação de vocês. A Universidade de Brasília é um espaço de construção e crescimento profissional sim, mas ser “UnBersitário” vai muito além disso.

Você, a partir de agora, faz parte do sonho de um trabalhador pobre, que ganha um salário mínimo. Ele, ao pagar impostos que muitas vezes fará falta à sua sobrevivência, espera que VOCÊ faça a diferença na realidade do Sistema Único de Saúde, que nem sempre supre com as necessidades e expectativas daqueles que o procuram.

Você faz parte do sonho dos profissionais ocupados demais, e que se esqueceram que uma sociedade vai além de dinheiro e poder. Ele espera que você lute por seus direitos, estude para construir novas teorias, seja consciente para fazer a diferença em um espaço diferente, que uma minúscula porcentagem da população tem acesso.

Seja bem vindo à UnB e, sobretudo, seja bem vindo à enfermagem, uma profissão que necessita de vidas dispostas e amáveis, capazes de utilizar dos seus conhecimentos em benefício direto ao próximo.

Contamos com o seu poder de mudança e, por isso, em nome de todo o Centro Acadêmico de Enfermagem, parabenizo vocês pela conquista e aguardo ansiosamente pela suas presença e pelos seus potenciais em nossa profissão.

Hévane Santos
Presidencia CAEnf
Universidade de Brasília – Faculdade Ceilândia

Ps: O uso da imagem ilustrativa acima não tem participação do CAEnf, sendo de exclusiva resposabilidade do responsável pelo Blog.

04 março 2011

Reajuste de grade horária


Vi que muitos calouros estão com dúvidas sobre a grade horária e possíveis reajustes. Então vamos lá. Tentarei realizar uma análise de disciplinas caso a caso. A grade básica para o 1º semestre é:

1 - Do Átomo à Vida 1 (ATV 1) - A disciplina é pré-requisito para ATV 2, que por sua vez é para ATV 3. Sem muitas dificuldades, o aluno consegue concluir a sequência de ATV até o 3º semestre, ou , se houver atraso, até o 5º. É importante ter ATV 1 na sua grade.

2 - Das Células aos Sistemas 1 (CS 1) - O aluno de enfermagem deverá cursar até CS 4, no 4º semestre. Considero muito importante seguir o fluxo normal de CS, já que essa discplina é essencialmente anatomia e fisiologia. À medida que avançamos na sequência de CS, ficamos cada vez mais familiarizados com a linguagem anatomica e fisiológica utilizada no curso. Tenha CS 1 em sua grade.

3 - Saúde e Sociedade 1 (SS 1) - Ela é pré-requisito para SS 2, no º semestre. Não precisamos de SS 3. SS 1 é uma disciplina que considero pesada. Veja bem, considero pesada, mas não é difícil. Tem uma carga grande de leitura e principalmente, o que mais dá trabalho, o famigerado Diagnóstico Sócio-Sanitário das Cidades. Algumas disciplinas optativas exigem SS como pré-requisito, por isso tenha em sua grade.

4 - Epidemiologia descritiva (Epidemio) - é pré-requisito para Epidemiologia Analítica. Também participa do Diagnóstico Sócio-Sanitário, mas é menos trabalhosa. Apesar de achar uma disciplina chata, ela é muito importante para o profissional de saúde. Hummmm!. Tenha em sua grade.
5 - Contexto Histórico e Social da Enfermagem(Contexto) - Ah, Contexto!Preste atenção agora. Contexto é a primeira de uma série de discisplinas que só terão término no 8º semestre. Atrasar uma dessas disciplinas significa atrasar as demais. Se você não foi matriculado em Contexto, corra atrás. Ela é importantíssima em sua grade.
6 - Biofísica - Sinceramente, você pode cursar essa disciplina em qualquer semestre do curso.
7 - Leitura e Produção de Textos Acadêmicos (LTPA) - Idem à Biofísica.

Período de matrículas

A UnB oferta ao calouro uma grade e garante sua matricula naquelas disciplinas. Porém, nem sempre o que é ofertado  é o que é desejado. Alguns alunos trabalham e precisam cursar disciplinas em apenas um período. Outros gostariam de incluir mais disciplinas em sua grade.  Para o calouro,essa alteração só poderá ser feita no período de reajuste. O resultado da matrícula será divulgado no dia 14/03 às 08h00min.

Reajuste

É nesse período que o aluno calouro poderá alterar sua grade. Aqui você poderá retirar ou incluir disciplinas. Isso depedende da disponibilidade de vagas e outros fatores. O reajuste é feito diretamente com o coordenador do curso, nesse caso o professor Carlos Eduardo. Tão logo o sistema divulgue o resultado da matrícula( dia 14 às 08h00min) tem início o reajuste. Lembro que todos os alunos de Enfermagem, de todos os semestres, interessados em realizar reajuste, realizarão esse procedimento com o mesmo coordenador, ou seja, é muito índio pra pouco cacique e isso obviamente gera filas. O que isso significa? Chegue cedo. O reajuste está programado para os dias 14 e 15/03. 

Alerta

O Paulo (2ª turma), já alertou na comunidade do orkut, mas não custa nada reforçar. Avalie bem a quantidade de disciplinas que você está disposto a cursar. Muitas vezes, a quantidade que você queria não é compatível com o que você pode. Não digo isso por questões de tempo, porque com raríssimas exceções tempo é o que mais o calouro tem. Como disse anteriormente, é importante que algumas disciplinas estejam  em sua grade, mas outras podem esperar. Essa avaliação é você quem tem que fazer.

Espero ter ajudado.

Ps: Outras dúvidas podem ser postada na área de comentários e dentro do possível procurarei, responder com brevidade.

02 março 2011

HPV na população masculina


Imagem por Revista Viva Saúde (UOL)
    
   As doenças sexualmente transmissíveis afetam homens e mulheres de todas as idades, etnias e classes sociais. Muitas vezes essas doenças podem não apresentar sintomas e isso se traduz num grande risco para a disseminação das mesmas, pois uma pessoa que tem uma DST pode transmitir a doença para outras pessoas sem ao menos saber que está infectada.
      Com destaque entre as DST está o HPV, Papiloma Vírus Humano, que em alguns casos pode acarretar em câncer de colo de útero. Estima-se que  universo de mulheres infectadas cerca de 3% a 10% estão com um tipo de HPV de alto risco e irão desenvolver câncer de colo de útero.(INCA)
      Embora as ações de saúde tenham quase sempre como foco as mulheres, uma recente pesquisa internacional identificou alto índice de prevalências nos homens. No total, participaram da pesquisa 1.159 homens, com idade entre 18 e 79 anos, todos residentes na cidade de São Paulo, no sul da Flórida e em Cuernavaca, no México. Enquanto o percentual de infecções em mulheres não passe de 20%, a pesquisa apontou cerca de 50% de infecções nos homens. Do total de homens infectados, 30% estavam com variações do HPV ligados ao surgimento de câncer. Como o o HPV não está somente no sêmen (ele também está presente na pele ou mucosas), o uso de preservativos não é tão eficiente na prevenção com como HIV, ou seja, não é preciso que haja penetração, basta apenas o contato.
        No Brasil a pesquisa foi coordenada por Luisa Villa, pesquisadora na filial de São Paulo do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer.

Fontes: O Estado de São Paulo, G1 e Sociedade Brasileira de Infectologia